Comércio internacional dá indícios de recuperação no ano

Relatório da Maersk Line do Brasil mostrou crescimento de 1% no movimento marítimo de contêineres no primeiro trimestre

Grupo dinamarquês A.P. Moeller-Maersk

São Paulo – O volume das importações exportações brasileiras via marítima cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2012, segundo o relatório trimestral de comércio da Maersk Line do Brasil, empresa de transporte de contêineres.

O resultado vem após um último trimestre de resultados fracos em 2012. “Ainda é cedo para dizer que o Brasil está se recuperando, mas estamos vendo uma tendência de melhoria muito presente”, afirma Mario Veraldo, chefe de vendas da empresa.

Alguns pontos principais colaboraram com este resultado. Um dos motivos apontados pelo executivo é o bom desempenho das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

No Norte, destaque para o desempenho da produção de máquinas e aparelhos eletrônicos. Já para o Nordeste, produtos químicos, metais, minerais, têxteis e couro.

Outro ponto de destaque são as importações de commodities, que tiveram um bom resultado no período, impulsionando o resultado com outros países.

Embora as previsões para o produto interno bruto (PIB) sejam de resultados fracos em 2013, as expectativas iniciais apontam para um ano melhor que 2012 para o comércio via contêineres, ainda que não mostre crescimento muito robusto.

Confira os principais números do desempenho do comércio exterior do Brasil por via marítima no primeiro trimestre de 2013, segundo dados da Maersk Line do Brasil:

Indicador Variação sobre 1º tri 2012
Desempenho total do movimento de contêineres 1%
Exportações -1,80%
Importações 3,40%
Total de movimentação – Sul -0,20%
Total de movimentação – Sudeste 1,30%
Total de movimentação – Norte 7%
Total de movimentação – Nordeste 0,90%

 

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Brasil precisa investir R$ 125 bilhões por ano em transporte, afirma estudo do Ipea

O Brasil precisa de um programa de investimentos na ordem de R$ 125 bilhões por ano para solucionar gargalos e impulsionar o desenvolvimento do setor de transporte nos modais rodoviário, ferroviário, portuário e aéreo. O valor é equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto(PIB) do país e deveria ser aplicado nos próximos cinco anos.

O cálculo é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que acaba de divulgar o estudo Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas – clique aqui para acessar o estudo. A média de 3,4%, considerada ideal, foi obtida a partir da avaliação dos investimentos feitos por cinco países, onde o trabalho com os sistemas de transporte merecem destaque: Chile, China, Vietnã, Tailândia e Filipinas.

Atualmente, entre recursos públicos e privados, o Brasil aplica quase cinco vezes menos. Em 2010, por exemplo, o Ipea constatou que apenas 0,7% do PIB — R$ 24,8 bilhões – foi aplicado no setor, “o que confirma a necessidade de incremento significativo para não haver obstáculos ao crescimento econômico”, segundo o estudo. Entre 2006 e 2010, a média de investimento foi ainda menor: R$ 18,3 bilhões.

Dos R$ 125 bilhões, o Ipea estima que 53,4% – R$ 66,7 bilhões – devem ser investidos exclusivamente para resolver gargalos de infraestrutura: R$ 36,9 bilhões iriam para o setor rodoviário, R$ 15,9 bilhões para as ferrovias, R$ 9,3 bilhões seriam alocados no setor portuário e R$ 4,6 bilhões destinados às estruturas aeroportuárias.

A diferença de R$ 58,3 bilhões anuais, durante cinco anos, poderia ser direcionada à ampliação da infraestrutura de transporte. São recursos que deverão ser investidos na ampliação da malha rodoviária (R$ 32,2 bilhões) e ferroviária (R$ 13,9 bilhões), e na construção e ampliação de estruturas portuárias (R$ 8,1 bilhões) e aeroportuárias (R$ 4 bilhões).

O levantamento apresenta um plano para os próximos 15 anos na infraestrutura de transportes nacional, isto é, os investimentos não devem cessar a partir do sexto ano. Após esse período, o país precisaria investir R$ 73,6 bilhões por ano, o que representa, em média, 2% do PIB.

A aplicação dos recursos, até o 15º ano, deve ter dois objetivos simultâneos. O primeiro corresponde aos investimentos em manutenção e recuperação do setor de transporte. O segundo visa integrar com maior eficiência a matriz de cargas brasileira que, atualmente, registra participação desigual do modal rodoviário, “o que aumenta sobremaneira o custo do transporte e da logística”, segundo o Ipea.

A melhor distribuição das cargas entre os quatro modais seria baseada nos percentuais de investimento propostos pelo Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) 2010. A meta, segundo os pesquisadores, é fazer com que os recursos estimulem principalmente o desenvolvimento dos modais ferroviário e aquaviário.

Carência

Em comparação aos valores aplicados recentemente, o Ipea destaca que o plano proposto evidencia a carência relativa do Brasil em termos de infraestrutura de transportes. O quadro irá melhorar “se as condições específicas de cada modal forem aprofundadas, se for promovida a eficiência do transporte de cargas e a evolução tecnológica que afeta a demanda e oferta de transporte”, afirma o documento.

FONTE – Agência CNT de Notícias

Importados minam a produção e ameaçam PIB

Os produtos importados tomaram conta das prateleiras do país. Pelas estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um em cada cinco bens consumidos no Brasil vem de fora. Em alguns setores, a proporção é maior. No segmento de informática e eletrônicos, por exemplo, para cada dois produtos, um é produzido no exterior. O volume de insumos estrangeiros utilizados pelas fábricas nacionais também é elevado. Em 2011, corresponderam a 21,7% dos componentes — um recorde.

Até mesmo os têxteis, um dos segmentos mais abatidos pela concorrência internacional, depende da importação para se manter no mercado. O setor trouxe de fora 28,5% dos insumos usados na produção. Na industria calçadista, o ingresso de importados também já é alarmante: atingiu a marca de 42,6%.

Para o setor fabril, esses números evidenciam o avanço da desindustrialização no país. Mais que isso, sintetizam os efeitos do chamado custo Brasil (carga tributária exagerada, logística e transporte deficientes e juros reais ainda elevadíssimos), que, ao lado do dólar desvalorizado frente ao real, vem dilapidando o crescimento da industria e prolongando a crise do setor. Pelos dados da CNI, 10 segmentos industriais carregam uma balança comercial deficitária. Ou seja, o custo com os insumos importados supera a receita com exportações. Em 2005, esse cenário se resumia a cinco áreas.

“Esses números mostram que o indústria manufatureira está se transformando em importadora”, lamentou Flávio Castelo Branco, gerente executivo da CNI. “Se nada for feito para atenuar os custos sistêmicos, o quadro deve se agravar, com o crescimento da economia (Produto Interno Bruto) sendo limitado pelo baixo desempenho da indústria neste ano”, alertou. Apenas entre 2009 e 2011, a participação de produtos estrangeiros no consumo cresceu 3,2 pontos percentuais.

Fábio Gallo Garcia, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica que, em função do custo Brasil, os empresários estão montando operações baseadas na importação. A seu ver, eles se transformaram em montadores de produtos, trazendo tudo de fora e sem desenvolver tecnologia. “A culpa não é apenas do industrial que está acostumado a ver o governo resolver seus problemas. O poder público também tem parcela de culpa ao impor tantas barreiras ao setor produtivo”, disse.

Do Correio Braziliense