Ferrovia sobrevive no ritmo de carga da ALL

O dia ainda está amanhecendo e o apito das locomotivas já sinalizam o início de uma nova jornada pelos trilhos de Bauru. Já não há o mesmo frenesi de antes, de uma ponta a outra da cidade, mas a ferrovia, ainda assim, sobrevive.

Passados mais de cem anos desde os tempos dos desbravamentos ferroviários pelas companhias que alavancaram o desenvolvimento de Bauru – Sorocabana (1905-1971), Noroeste (1906-1975) e Paulista (1970 e 1971)– e ainda o período de estatização, com a Fepasa (Ferrovias Paulistas S/A [1971-1998]), os trilhos bauruenses passam por uma terceira e conturbada fase de existência: a da concessão.

Desde maio de 2006, toda a malha na região (e em quase todo o estado de São Paulo) é administrada pela América Latina Logística (ALL). Pelo contrato atual  (30 anos), assim será pelo menos até 2027.

Apenas na área urbana de Bauru, a empresa opera 20 quilômetros de trilhos. O controle das operações fica na UP (Unidade de Produção) cuja sede fica na antiga rotunda do antigo complexo da Noroeste.

O ‘staff’ atual é de cerca de 90 pessoas, mas já foi maior. A estrutura que havia sido herdada da Novoeste, que acabou incorporada em 2006, foi reduzida. Atualmente, o maior contigente é de maquinistas – cerca de 44 – para dar conta da movimentação de cargas que passa pela região.

São pelo menos seis comboios diários carregados de minério de ferro, celulose, derivados de petróleo, cimentos e produtos siderúrgicos, com destinos principais aos portos e para Mato Grosso do Sul.

Transporte feito, aliás, a velocidades reduzidas. Em muitos trechos, não passam de 20km/h, o que não evita a ocorrência frequente de acidentes.

Desde 2004 o Ministério Público Federal (MPF) em Bauru denuncia a ALL por falta de manutenção adequada dos trilhos que assumiu. A empresa diz ter investido R$ 15 milhões apenas em 2012 na via permanente. Enquanto correm os processos, seguem os trens. É só escutar o apito… (Fonte)

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Pacote de investimentos no setor portuário inclui estradas e ferrovias

O pacote de investimentos no setor portuário, em elaboração pelo governo federal, vai abranger também a resolução de problemas de acesso aos terminais. Além de novas concessões e de uma atualização no marco regulatório, o pacote conterá um conjunto de novos investimentos em rodovias e ferrovias para facilitar a chegada dos produtos brasileiros aos portos, onde serão embarcados para a exportação.

A maior parte desses projetos já foi incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É o caso, por exemplo, da avenida perimetral, na margem esquerda do Porto de Santos, uma obra de R$ 71 milhões, e outras obras de adequação de trevos na entrada da cidade no valor de R$ 376 milhões.

Por decorrência dessas obras, o pacote receberá recursos extras, além dos R$ 40 bilhões previstos. Dados preliminares apontam para algo na casa dos R$ 200 milhões. Eles beneficiarão portos como o de Santos, Rio de Janeiro e Pecém (CE), entre outros.
O acesso terrestre ao porto é apontado como um gargalo pelo presidente do Porto de São Francisco do Sul (SC), Paulo Corsi. Ele explicou que a capacidade operacional aumentou, por isso o volume de carga também cresceu e isso causou um estrangulamento na chegada ao porto. A intenção é duplicar a rodovia de acesso, mas a obra ainda não começou.

Investimentos
O foco do governo ao elaborar o pacote, segundo informou o ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Leônidas Cristino, é atrair mais investimentos privados. As estimativas indicam que em 2030 os portos brasileiros movimentarão 2,2 bilhões de toneladas de cargas, o que exigirá uma forte expansão da infraestrutura. Em 2011, foram movimentados 886 milhões de toneladas, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

“Vamos dar condição de investimento para a iniciativa privada”, prometeu o ministro. Ele disse estar seguro que as medidas darão um impulso a novos projetos.

Hoje, há basicamente dois tipos de porto em funcionamento no País: os chamados portos organizados, que somam 34 e pertencem à União, e os terminais de uso privativo, que são mais de 120 e movimentam carga de uma única empresa. Os números da Antaq mostram que por eles passaram 577 milhões de toneladas no ano passado, enquanto nos chamados portos organizados passaram 309 milhões de toneladas.

Há uma pressão para que, no pacote, os terminais de uso privativo sejam autorizados a movimentar cargas de terceiros. Quem defende a ideia acredita que eles estabelecerão concorrência com os portos e isso ajudará a baixar preços.

Fonte: Transporta Brasil

Brasil precisa investir R$ 125 bilhões por ano em transporte, afirma estudo do Ipea

O Brasil precisa de um programa de investimentos na ordem de R$ 125 bilhões por ano para solucionar gargalos e impulsionar o desenvolvimento do setor de transporte nos modais rodoviário, ferroviário, portuário e aéreo. O valor é equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto(PIB) do país e deveria ser aplicado nos próximos cinco anos.

O cálculo é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que acaba de divulgar o estudo Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas – clique aqui para acessar o estudo. A média de 3,4%, considerada ideal, foi obtida a partir da avaliação dos investimentos feitos por cinco países, onde o trabalho com os sistemas de transporte merecem destaque: Chile, China, Vietnã, Tailândia e Filipinas.

Atualmente, entre recursos públicos e privados, o Brasil aplica quase cinco vezes menos. Em 2010, por exemplo, o Ipea constatou que apenas 0,7% do PIB — R$ 24,8 bilhões – foi aplicado no setor, “o que confirma a necessidade de incremento significativo para não haver obstáculos ao crescimento econômico”, segundo o estudo. Entre 2006 e 2010, a média de investimento foi ainda menor: R$ 18,3 bilhões.

Dos R$ 125 bilhões, o Ipea estima que 53,4% – R$ 66,7 bilhões – devem ser investidos exclusivamente para resolver gargalos de infraestrutura: R$ 36,9 bilhões iriam para o setor rodoviário, R$ 15,9 bilhões para as ferrovias, R$ 9,3 bilhões seriam alocados no setor portuário e R$ 4,6 bilhões destinados às estruturas aeroportuárias.

A diferença de R$ 58,3 bilhões anuais, durante cinco anos, poderia ser direcionada à ampliação da infraestrutura de transporte. São recursos que deverão ser investidos na ampliação da malha rodoviária (R$ 32,2 bilhões) e ferroviária (R$ 13,9 bilhões), e na construção e ampliação de estruturas portuárias (R$ 8,1 bilhões) e aeroportuárias (R$ 4 bilhões).

O levantamento apresenta um plano para os próximos 15 anos na infraestrutura de transportes nacional, isto é, os investimentos não devem cessar a partir do sexto ano. Após esse período, o país precisaria investir R$ 73,6 bilhões por ano, o que representa, em média, 2% do PIB.

A aplicação dos recursos, até o 15º ano, deve ter dois objetivos simultâneos. O primeiro corresponde aos investimentos em manutenção e recuperação do setor de transporte. O segundo visa integrar com maior eficiência a matriz de cargas brasileira que, atualmente, registra participação desigual do modal rodoviário, “o que aumenta sobremaneira o custo do transporte e da logística”, segundo o Ipea.

A melhor distribuição das cargas entre os quatro modais seria baseada nos percentuais de investimento propostos pelo Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) 2010. A meta, segundo os pesquisadores, é fazer com que os recursos estimulem principalmente o desenvolvimento dos modais ferroviário e aquaviário.

Carência

Em comparação aos valores aplicados recentemente, o Ipea destaca que o plano proposto evidencia a carência relativa do Brasil em termos de infraestrutura de transportes. O quadro irá melhorar “se as condições específicas de cada modal forem aprofundadas, se for promovida a eficiência do transporte de cargas e a evolução tecnológica que afeta a demanda e oferta de transporte”, afirma o documento.

FONTE – Agência CNT de Notícias

Ferrovias movimentam 87,6% mais cargas

Agência Estado

A movimentação de cargas por meio das ferrovias no Brasil cresceu 87,6% entre 1997 e 2011 – durante os 15 anos das concessões do setor. O dado faz parte do balanço do transporte no modal, divulgado nesta segunda-feira pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

Segundo o documento, o transporte de contêineres aumentou 82 vezes no período, com crescimento de 149% nos empregos do setor. Além disso, nos últimos 15 anos, o consumo de combustível nas ferrovias concedidas diminuiu em média 22%. Com isso, a produção na malha ferroviária cresceu 111,7% desde 1997, desempenhoque a ANTF destaca ter sido duas vezes maior que o ritmo do PIB no mesmo período.

No ano passado, o total de cargas transportadas no modal ferroviário chegou a 475 milhões de toneladas, o que representou um crescimento de 5 milhões de toneladas na comparação com 2010, informa a ANTF.

As cargas mais transportadas em 2011 foram o minério de ferro e o carvão mineral, que respondem por 76,61% do total. Já o agronegócio foi responsável por 11,51% da movimentação no setor, seguido por produtos siderúrgicos (3,77%) e derivados de petróleo e álcool (2,79%).

O transporte de contêineres cresceu 23,7% em 2011 em relação ao ano anterior. Conforme a ANTF, a expansão pode ser maior se forem solucionadas as dificuldades do transporte intermodal, com a construção de novos terminais e melhoria de acesso ferroviário aos portos. A associação também destaca a necessidade de ajustes no atual regime tributário.

 

Investimentos

As concessionárias de ferrovias no Brasil devem investir cerca de R$ 5,3 bilhões em 2012, superando os cerca de R$ 4,5 bilhões aplicados pelo setor durante o ano passado. Estimativas da ANTF indicam que a movimentação de carga no modal deve passar de 475,1 milhões de toneladas úteis (TU) para 522 milhões TU em 2012. Com isso, a produção poderá saltar de 290,5 bilhões de “tonelada quilômetro útil transportada” (TKU) para 320 bilhões de TKU. O balanço também projeta a expansão do emprego este ano, passando dos atuais 41.455 postos de trabalho para 44 mil vagas.

A malha ferroviária brasileira tem 28.614 quilômetros de extensão, dos quais quase a totalidade – 28.366 quilômetros – é operada por dez concessionárias privadas.