China dá sinal verde para acordo entre tradings Marubeni e Gavilon

NOVA YORK, 23 Abr (Reuters) – Os reguladores chineses deram o sinal verde para a operação de compra por 5,6 bilhões de dólares da comerciante de grãos norte-americana Gavilon pela trading japonesa Marubeni, mas com duras condições, ressaltando a preocupação de Pequim quanto à segurança alimentar.

O acordo foi fechado quase um ano atrás mas foi mantido em suspenso por meses enquanto Pequim examinava a operação combinada do grupo, que terá um papel de liderança no abastecimento de soja e outros grãos ao mercado chinês, país onde mais cresce a importação de alimentos.

Autoridades antitruste dos Estados Unidos e da Europa já abriram caminho para a transação.

Em comunicado aprovando a transação, o Escritório Anti-monopólio, parte do Ministério do Comércio (MofCom), disse que a fusão pode “eliminar ou limitar a competição no mercado importador de soja da China”.

Como resultado, o MofCom disse que será determinado que a Gavilon e a Marubeni mantenham unidades de tradings separadas e independentes quando venderem soja para a China, com compromisso de segregar as operações para prevenir qualquer troca de informações de mercado.

A Marubeni terá de comprar os grãos da vasta rede de contatos da Gavilon.

O acordo, que inclui uma dívida de 2 bilhões de dólares, poderá impulsionar a quinta maior trading do Japão ao topo do ranking das comerciantes globais, dando acesso à rede de estocagem de grãos da Gavilon, assim como a uma importante operação de fertilizantes e comércio de óleo.

A Marubeni já é a segunda maior exportadora de grãos dos EUA para a China, movimentando cerca de um quinto de tais importações em 2010.

(Reportagem de Jonathan Leff e Wanfang Zhou)

Tradução Redação São Paulo 5511 5644-7754

REUTERS FG RS

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Empresas de pequeno porte se abrem para o comércio exterior

 

Empresas de pequeno porte se abrem para o comércio exterior Empresas de pequeno porte se abrem para o comércio exterior

Mais de 15 mil empresas brasileiras de pequeno porte possuem negócios no exterior. A África e a América Latina estão, cada vez mais, com as portas abertas para os produtos fabricados no Brasil

 

Exportar exige conhecimento e é um desafio ainda maior às micro, pequenas e médias empresas, que precisam investir em qualificação pessoal e aumentar sua capacidade de produção. Mas, quando os desafios são superados, podem trazer muitos benefícios. Pelo menos essa é a aposta do coordenador do Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), da Apex Brasil, Tiago Terra.

De olho no mercado globalizado, a MVM Indústria e Comércio de Revestimentos Sintéticos Ltda, de Eldorado do Sul, começou, em 2010, com apoio da Peiex, a dar seus primeiros passos para o mundo. Especializada em mantas isolantes térmicas e acústicas, fitas térmicas autoadesivas e telas de proteção para construção civil, sua primeira experiência em exportação foi com Cuba, que comprou manta térmica para telhados de casas pré-fabricadas.

De acordo com o sócio e diretor comercial, Martin Sá Martins, o mercado externo representa apenas 10% do faturamento da fábrica, mas a expectativa deste ano é de aumentar em 30%, com foco nos Estados Unidos, Canadá, Europa e América do Sul, em especial a Argentina.

Mas nada acontece de uma hora para outra, e exportar necessita preparação. A MVM, por exemplo, precisou de um ano até se adaptar à nova rotina de comercializar para fora do País. “Melhoramos o controle da qualidade, tanto na produção quanto na administração, no rastreamento da mercadoria, desde a matéria-prima até o cliente, e a formação de preço de venda de exportação”, diz o diretor, que se sentiu seguro com a ajuda da Peiex. “Espero que mais empresas possam se utilizar dessa experiência positiva e busquem a ajuda para se expandir”, recomenda.

“Para crescer é preciso se capacitar e planejar”, orienta o coordenador do Peiex, Tiago Terra. Diagnóstico realizado pela entidade sobre as dificuldades das empresas em exportar, demonstram que 60% estão na qualificação da gestão. O contato com culturas diferentes, com outra mentalidade e todas as suas diferenças, acaba interferindo diretamente nos padrões das empresas. Dessa forma, garante Terra, elas se tornam mais competitivas também no mercado interno. Portanto, ele aconselha que os empresários busquem consultorias e subsídios que venham a melhorar a gestão de seus negócios.

Conhecer o destino do produto, saber se ele teria aceitação, entender as diferenças, a legislação e a língua do país destinatário são requisitos básicos para iniciar um processo de exportação. De acordo com Terra, muitas empresas precisam modificar o design e a cor do produto ou da embalagem a fim de que possam ser aceitos, sem agredir a filosofia do lugar. Seguir os padrões internacionais orientados pelas agências e institutos, como a Anvisa ou o Inmetro, por exemplo, facilita nas negociações. “Isso a levará ao mercado externo e vai aumentar sua competitividade interna”, garante Terra.

É importante, ainda, um bom catálogo dos seus produtos, que ela se preocupe com o marketing e faça as adequações necessárias e, principalmente, tenha certificação. Além disso, existem exigências com relação à Receita Federal e outros órgãos federais e fiscalizadores que precisam ser vistos por uma pessoa ou entidade especializada. De acordo com Terra, os maiores obstáculos para entrar em um novo mercado são: adequações do produto, certificações e a burocracia local.

O Brasil, comenta Terra, é um dos maiores exportadores de commodities, mas as micro, pequenas e médias empresas, apesar da concorrência com os chineses, vendem muitos calçados, vestuário e acessórios. Na área de alimentos, o carro-chefe são as carnes.
 

Fonte: Jornal do Comércio

Exportações de couro registraram US$ 290,6 milhões até fevereiro

Desempenho do setor neste início do ano foi modesto, impactado pela crise européia, mas o setor aposta na conquista de novos mercados com produtos acabados

As exportações brasileiras de couros e peles contabilizaram vendas de US$ 290,6 milhões no primeiro bimestre, o que representa uma redução de 4% em comparação a 2011, e embarques de 53,86 mil toneladas, volume 8% aquém do registrado no período anterior. Já a receita obtida no mês de fevereiro foi de US$ 151 milhões, 8% superior a janeiro, mas 7% inferior ante o mesmo mês do ano passado. O cálculo é do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“Como previmos, as exportações deste início do ano apresentaram desempenho decrescente, levando-se em conta a diminuição dos negócios no final de 2011, fruto da crise européia”, diz o presidente do CICB, Wolfgang Goerlich, ao analisar o resultado do acumulado deste ano.

Para manter a participação brasileira no mercado internacional, a estratégia da indústria consiste em manter e conquistar novos mercados para os produtos acabados, de maior valor agregado. Uma linha de ação que está demonstrando bons resultados, conforme se depreende do perfil dos produtos exportados neste início de ano: os produtos acabados e semi-acabados responderam por 70% da receita e por 57% do volume embarcado nos dois primeiros meses do ano.

O desempenho do setor, entretanto, ainda é bastante prejudicado pelos componentes do chamado Custo Brasil: alta carga tributária, elevadas taxas de juros, a falta de linhas de crédito para capital de giro, as graves deficiências do sistema de infra-estrutura etc. “A redução da taxa de juros praticada nos últimos meses é uma medida bem-vinda, mas muito acanhada, se considerarmos os demais obstáculos enfrentados pela indústria exportadora”, diz Goerlich.

Não fossem tais dificuldades, o setor poderia prestar uma contribuição ainda maior para a economia brasileira, lembra ele, destacando que os embarques de couro representaram nada menos do que 6,86% do saldo registrado pela balança comercial brasileira em 2011.

O presidente do CICB destaca as ações que a entidade vem promovendo consolidar a boa imagem do couro brasileiro no mercado internacional, a exemplo da realização do I Congresso Mundial do Couro, em novembro passado, no Rio de Janeiro, e a condução do programa “Brazilian Leather”, conduzido em parceria da entidade com a Apex-Brasil, agência vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

China+Hong Kong, Itália e Estados Unidos foram os principais destinos do couro nacional no primeiro bimestre; Brasil aumenta embarques para a Hungria, África do Sul e Japão

No acumulado do ano, os principais destinos do produto nacional foram a China e Hong Kong, com US$ 100,6 milhões, 34,6% de participação e aumento de 6% ante 2011; Itália (US$ 52,7 milhões, 18,1% e participação e queda de 22%); e Estados Unidos, US$ 37,4 milhões, (13% e elevação de 3%).

Neste período, Hungria (US$ 13,8 milhões, 4,8% e 347% de aumento), Tailândia (US$ 7,2 milhões, 2,5% e 131%) e África do Sul (US$ 4 milhões, 1,4% e aumento de 11%) foram outros importantes destinos das exportações brasileiras. Entre países que também aumentaram as compras do couro nacional no período, figuram Uruguai (US$ 3,44 milhões, 1,2% e 96%) e Japão (US$ 2,8 milhões, 1% e 62%).

Ranking dos dez maiores estados exportadores no primeiro bimestre-O balanço das vendas externas de couros dos estados brasileiros no acumulado deste ano em relação a 2011 informa que os principais exportadores foram São Paulo (que retomou a liderança nacional, US$ 65,67 milhões, 22,6% de participação em 2012), seguido do Rio Grande do Sul (US$ 52,98 milhões, 18,2% de participação), Paraná (US$ 37,85 milhões, 13%), Goiás (US$ 32 milhões, 11%) e Ceará (US$ 31,21 milhões, 10,7%).

Os demais estados são Bahia (US$ 14,78 milhões, 5,1%), Minas Gerais (US$ 13,57 milhões, 4,7%), Mato Grosso (US$ 13,4 milhões, 4,6%), Mato Grosso do Sul (US$ 12,41 milhões, 4,3%), e Santa Catarina (US$ 10,26 milhões, 3,5%).

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Exportação gaúcha registra queda de 2,6%

As indústrias gaúchas fecharam fevereiro com queda de 2,6% nas suas exportações, em relação ao mesmo período do ano passado. O setor foi responsável por 87,66% das vendas externas do Estado, que somaram US$ 1,18 bilhão. De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, entre os fatores que explicam o resultado está a perda de US$ 40 milhões nos embarques para a Argentina, que totalizaram US$ 103 milhões no mês, devido ao acirramento das barreiras impostas pelo país vizinho.

As desacelerações ocorreram em 12 dos 25 segmentos. As fortes retrações vieram de Couro e Calçados (-31,9%), Veículos Automotores e Carrocerias (-21%), Químicos (-14,9%) e Máquinas e Equipamentos (-11,4%). Juntos, responderam por 33,9% dos embarques do setor industrial. “As indústrias gaúchas têm uma forte vocação exportadora, tornando o Rio Grande do Sul mais exposto à contração da demanda provocada pela crise internacional. O câmbio valorizado, os altos custos de produção e as deficiências de infraestrutura e logística também atuam no sentido de diminuir a competitividade dos exportadores”, explicou Müller, destacando que o resultado ficou bem abaixo da média brasileira, cujo avanço chegou a 6,5% em fevereiro.

Já as vendas totais do Estado tiveram uma elevação de 1,4% devido aos bons resultados das commodities, principalmente da soja, cujo valor passou de zero para US$ 30 milhões. Apesar desse aumento, ainda não é possível avaliar os impactos da estiagem na balança comercial, pois, em 2011, as vendas externas dessa mercadoria ocorreram mais tardiamente, a partir de abril. As exportações do setor primário, em fevereiro, avançaram 52,9%, ante igual período de 2011, elevando a sua participação na pauta gaúcha de 7,5% para 11,2%.

No que se refere aos destinos, os Estados Unidos garantiram o primeiro lugar ao receberem 10,2% dos produtos gaúchos enviados ao exterior, principalmente tabaco não manufaturado e hidrocarbonetos. Na segunda posição, a Argentina respondeu por 8,8% de tudo que o Rio Grande do Sul vendeu, apesar de ter diminuído os seus pedidos em 28%, em relação ao ano passado. Os produtos exportados ao país vizinho se concentraram em éteres e polietilenos. Em seguida vem a China, comprando 5% do total, especialmente óleo de soja e pasta química de madeira.

O Rio Grande do Sul foi o quinto Estado que mais exportou no mês passado, somando 6,6% da pauta brasileira. A primeira posição ficou com São Paulo (22,8%), seguido por Minas Gerais (14,7%), Rio de Janeiro (13,6%) e Paraná (7%). As importações do Estado aceleraram 0,3%em fevereiro, ante o mesmo mês do ano passado, e somaram US$ 1,08 bilhão. Cerca de 80% das compras se concentraram em bens intermediários e combustíveis e lubrificantes. O saldo da balança comercial fechou positivo em US$ 97milhões.