Setor do plástico amplia vendas, mas margem de lucro é reduzida

Diário do Grande ABC

As vendas vão crescer, em média, 8% em 2013, mas as margens de lucro seguem apertadas, o que dificulta investimentos nas fábricas. Esse, de forma geral, é o panorama de pequenas indústrias de peças plásticas e embalagens feitas com esse material no Grande ABC neste ano.

Isso ocorre, de acordo com empresários do ramo, porque, apesar de diversos segmentos atendidos terem ampliado as encomendas – como a indústria automotiva, que no ano até novembro registrava incremento de 12% na fabricação de veículos em relação ao mesmo período de 2012 –, a concorrência dos produtos importados e os custos elevados no País têm dificultado os negócios na área.

Estudo da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) mostra que o setor, em média, ampliou em 8% tanto a produção quanto o faturamento em 2013. Porém, ao mesmo tempo, a importação segue com volume expressivo, US$ 3,8 bilhões, em compras de itens do Exterior. A balança comercial do segmento deverá fechar 2013 com deficit de US$ 2,36 bilhões.

Klaus Dieter Schnur, diretor comercial da Blitz, fabricante de autopeças em plástico instalada em Ribeirão Pires, cita que a valorização do dólar, neste ano, ajudou a inibir, em parte, a entrada de produtos de outros países. “Mas a matéria-prima (<CF51>que é cotada em dólar, mesmo a fabricada no Brasil</CF>) também aumenta”, ressalta.

“Em termos de compras de insumos, foi um dos piores anos, com sucessivas altas da matéria-prima”, assinala o diretor da Poliembalagens, Alessandro Guardalben. Ainda segundo dados da Abiplast, a resina termoplástica (principal insumo do setor) teve reajuste médio de 18% ao longo de 2013. E, para piorar, no fim de 2012, o governo elevou o Imposto de Importação da resina, de 14% para 20% – medida que no segundo semestre deste ano foi retirada – , o que atrapalhou a busca de alternativa de compras de insumos para os fabricantes não dependerem apenas da Braskem, que detém quase toda a produção nacional de resinas como o polietieno (usado para a fabricação de sacos plásticos) no País.

Guardalben cita ainda que sua empresa contratou uma consultoria que orientou a fixar metas de redução de custos e de aumento de produtividade, que ajudou a equilibrar os resultados. Essa fabricante, que tem quadro de 78 funcionários, produz embalagens para os mercados da construção civil, autopeças, aeronáutica, química e outras.

PERSPECTIVA – Para Schnur, 2014 traz perspectivas de melhora nos resultados, por causa, entre outros fatores, do Inovar-Auto, programa do governo federal que deu incentivo tributário às montadoras que utilizarem peças nacionais (e do Mercosul) na fabricação dos veículos. “Estamos fabricando ferramentais (moldes) para novos projetos de peças. Demora de 90 a 120 dias para ficar prontos e depois, há a fase de homologação”, afirma. A Blitz faz itens de acabamento interno de automóveis e externos de veículos pesados.

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, assinala que o período de adequação dos pequenos fabricantes, que passam a fazer no País peças que antes eram importadas, leva até oito meses, e com isso, é natural que os reflexos sejam mais sentidos no ano que vem.

Moan destaca ainda que outro programa do governo, o Inovar-Peças, que deve ser lançado em janeiro, trará estímulos para os fornecedores investirem em seus processos fabris.

Ramo químico também tem desafios

Assim como o setor do plastico, a indústria química brasileira vai fechar o ano com crescimento no faturamento, neste caso da ordem de 10,7% em relação a 2012, e também enfrenta deficit comercial crescente. As importações devem superar as exportações em US$ 32 bilhões em 2013, pior marca de sua história, estima a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química).

O segmento nacional, que é o sexto maior do mundo e que corresponde a 10% do PIB industrial brasileira, tem perdido competitividade, assinala o vice-presidente do conselho de administração da associação, Carlos Fadigas, que é presidente da Braskem. Segundo ele, encontrar soluções para concorrer com a matéria-prima petroquímica dos Estados Unidos é um dos desafios que o Brasil precisa enfrentar para se tornar competitivo nessa área. Esse país optou por produzir resina termoplástica (matéria-prima para a fabricação de peças e embalagens plásticas) a partir da extração de gás de xisto (o insumo resultante é cerca de 70% mais barato do que a nafta, derivada de petróleo). Só em novembro, o governo brasileiro iniciou licitação para a exploração de reservas desse tipo de gás.

Outro obstáculo a ser superado é o descompasso entre a inflação e valorização cambial. Fadigas cita que entre 2003 e 2012, a taxa inflacionária acumulada no período foi de 73%. No início de 2003, o dólar estava a R$ 3,50 e agora está cotado a R$ 2,35, ou seja, recuou no período.

ELOS DA CADEIA – Estudo que é realizado pela consultoria Maxiquim, com o apoio da Braskem e da Frente Parlamentar em Defesa da Competitividade da Cadeia Produtiva do Setor Químico, Petroquímico e Plástico do Brasil, identifica as relações entre as empresas ligadas à área química com outras atividades (como a indústria automotiva) da região e também os deficits de mão de obra qualificada nessa área. Segundo o presidente <CW-9> da frente, o deputado federal Vanderlei Siraque (PT-Santo André), o estudo deve ficar pronto até março.

Ritmo de importação de máquinas industriais é inferior ao da produção

Fonte: Valor Econômico
O aumento do consumo doméstico de bens de capital por empresas já instaladas no País, verificado neste ano, não foi abastecido prioritariamente por importações. Levantamento do professor Otto Nogami, do Insper, mostra que, embora as importações desse segmento estejam crescendo 6,3% em valor, no ano até outubro, o desembarque do “núcleo duro” de maquinário para a indústria registrou nível mais modesto de crescimento em relação ao ano passado.
Nogami descontou das importações totais de bens de capital registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior algumas classes de produtos, como autopeças, bens de transporte e maquinário agrícola e a importação de plantas fechadas de fábricas (como uma indústria nova que se instala no Brasil), onde muitos itens acoplados não são considerados bens de capital. A intenção foi achar os bens de capitais que reflitam máquinas direcionadas à modernização ou ao aumento da produção industrial de empresas já em operação.
O recorte, que usou as classes de maquinaria industrial, acessórios, ferramentas e equipamentos móveis, representou 53% do total das importações de bens de capital no acumulado de janeiro a outubro e somou 4% a mais que os US$ 22 bilhões registrados em igual período de 2012. “Esses são os itens dentro de bens de capital que podem ser considerados como utilizados para a indústria aumentar sua capacidade produtiva”, diz Nogami.
Enquanto a importação, em valor, cresceu 4%, a produção doméstica de bens de capital para uso industrial aumentou 10% até outubro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nos dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, o volume importado de bens de capital (total) cresceu 3,5% este ano, enquanto no grupo “máquinas e equipamentos”, essa alta foi de 1,8%, indicando um crescimento menor em proporção do total, e também menor do que a produção doméstica.
Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica, faz contas um pouco diferentes. A importação de máquinas e equipamentos mecânicos, em seus cálculos, está com crescimento de 3,4% neste ano. Para ele, os dados da indústria mostram que está em curso uma modernização da produção abastecida por fornecedores nacionais ao invés de importações.
De acordo com o IBGE, em outubro a produção de bens de capital para a indústria cresceu 20% em relação ao mesmo mês de 2012. Antes, o instituto de pesquisa havia registrado aumento na produção de 15,5% no segundo trimestre e de 12,7% no terceiro trimestre, sempre na comparação com mesmo período do ano anterior. O principal fator para o incremento, para Gomes de Almeida, são os juros subsidiados pelo BNDES através do Programa de Sustentação do Investimento, hoje com empréstimos de 3,5% ao ano.
A desvalorização cambial teve influência muito menor no incremento da produção do que o programa, avalia Almeida. “A atuação do BNDES levou à troca de fornecedores.”
E a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas discorda dessa avaliação. Nas contas da entidade, a importação de bens de capital neste ano está em 6% e o consumo aparente destes bens deve encerrar 2013 com alta de 5%, diante de um faturamento no mesmo nível de 2012. Os dados representam o total de bens de capital.
Mário Bernardini, assessor econômico da entidade, observa que, apesar de o montante emprestado pelo programa ter aumentado neste ano, não houve incremento de faturamento por parte das empresas. “Isso significa que o PSI serviu para sustentar o investimento no patamar do ano passado e não aumentá-lo. Se não fosse o PSI, o resultado seria pior”, diz.
Para Bernardini, “a maior parte das importações possui similar nacional. Claramente estava ocorrendo um efeito de substituição em função de preço. Mas a desaceleração das importações não é uma boa notícia, pois mostra que a demanda está mais fraca”, afirma.

Comércio exterior chinês cresce 9,3% em novembro

O valor do comércio exterior da China em novembro superou 370 bilhões de dólares, representando um aumento de 9,3%. O anúncio foi feito ontem (8) pelos Serviços de Alfândega da China.

No mesmo mês, as exportações renderam US$ 202,2 bilhões. Esta foi a primeira vez que o volume superou os US$200 bilhões. Em comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações registraram um aumento de 12,7%, enquanto as importações cresceram 5,3% com um volume de US$168,4 bilhões.

Especialistas acreditam que o aumento está relacionado com a melhoria da economia global, com o aproximar do Natal e políticas preferenciais governamentais.