Sauditas terão 30% de terminal portuário capixaba

A companhia KBW participa do empreendimento que será uma espécie de shopping voltado para petróleo e gás, no litoral Norte do Espírito Santo. O local comportará uma empresa de reparos navais.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – A empresa KBW, que tem capital saudita e sede em Dubai, nos Emirados Árabes, será dona de 30% de um terminal portuário no Espírito Santo. O Petrocity, como o projeto é chamado, tem previsão de conclusão para o começo de 2016 e reunirá todo tipo de serviços para operações de exploração e produção de petróleo onshore e offshore em uma área de 1,5 milhão de metros quadrados no litoral Norte capixaba, no município de São Mateus.

Terminal ficará no município de São Mateus

“É um projeto bem concebido, novo”, afirmou o diretor geral da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, sobre a atração de capital árabe e internacional. Segundo ele, foram dois anos de trabalho mostrando o projeto ao mercado, inclusive com road shows no exterior. Além dos 30% da KBW, os demais 70% do Petrocity estão divididos em sócios menores, dos setores financeiro e portuário. Para a construção foi formado um consórcio, o Falcon, no qual o Petrocity participa e no qual há capital francês. Este último terá opção de participação acionária no terminal ao final da obra, segundo informações de Silva.

O empreendimento, totalmente privado, será uma espécie de shopping center para petróleo e gás. O investimento no terminal será de R$ 1 bilhão, de acordo com o diretor-geral. Mas poderá chegar a R$ 1,5 bilhão se somado o investimento que uma empresa de reparo naval fará no local. O nome dela será anunciado em dezembro, segundo o executivo. A expectativa, segundo Silva, é de payback em cinco anos. Esse é o período em que o lucro líquido deve empatar com o valor investido.

Além disso, o projeto foi todo pensado em cima da sustentabilidade, com medidas para aumentar o cardume local e atuação de biólogos na avaliação dos processos realizados. O empreendimento funcionará ainda como um porto escola, no qual estudantes de seis cursos da Universidade Vila Velha farão atividades voltadas às suas áreas no local.

Essas características do terminal, como a proposta de sustentabilidade, a parceria com a universidade na formação de mão de obra, os retornos bem indicados, a possibilidade de atuar com operações offshore e onshore (a região concentra atividades das duas modalidades), e a parceria com o governo do Espírito Santo (o projeto fica em uma área da Sudene) são citadas pelo diretor geral do Petrocity entre os fatores que despertaram interesse estrangeiro.

O terminal estará totalmente pronto daqui a um pouco mais de dois anos, mas há possibilidade que em uma segunda fase, depois de 2016, ele também atue na tancagem de óleo nos quatro municípios que fazem parte do quadrilátero petrolífero da região, que são São Mateus, Conceição da Barra, Jaguaré e Linhares.

KBW

A KBW tem o príncipe saudita Khaled Bin Alwaleed como presidente e principal acionsita. Ele anunciou, na última semana, em uma visita ao Brasil, a instalação de uma sede em território brasileiro, no estado de Santa Catarina. O escritório central deverá acompanhar os projetos nos quais a companhia investe no Brasil, entre os quais está o terminal portuário capixaba. A KBW é um grupo de capital fechado que possui investimentos de longo prazo. Khaled é filho do príncipe Alwaleed bin Talal, um dos maiores investidores individuais do planeta.

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