Içara na mira de um Terminal Intermodal Aduaneiro

Grupo de investidores apresenta projeto para a prefeitura e aguarda resposta sobre aprovação até o mês de setembro

A prefeitura de Içara e empresários locais receberam uma proposta de desenvolvimento econômico tentadora na noite de ontem na Associação Empresarial e Industrial de Içara (Acii). Um grupo de investidores formado pela OpenMarket, Grupo Jayme Zanatta e FTC apresentou o projeto e as perspectivas de crescimento à região trazidas pela instalação de um Terminal Intermodal Aduaneiro.

A perspectiva inicial é movimentar por mês quatro mil contêineres e chegar, em 15 anos, ao volume de 16 mil. Caso aprovado e aceito pela comunidade içarense, o terminal levaria cerca de dois anos e meio para ser finalizado, sendo que a construção iniciaria no mês de setembro. Dividido em quatro fases, a circulação de contêineres seria possível na primeira fase, completadas nos primeiros seis meses. A proposta é instalar o terminal em uma área de 40 hectares – entre a BR-101 e a ferrovia -, com geração de 280 empregos diretos e um investimento de R$ 40 milhões. A capacidade inicial de movimentação é de quatro mil contêineres com importação, exportação e cabotagem.

De acordo com o diretor da trade catarinense OpenMarket, Marcelo Christiano, de Itajaí ao Rio Grande (RS) há uma janela que falta explorar nesse setor. “Para o município, o terminal é um portal de oportunidades e atrai empresas, teremos estrutura para bater à porta das empresas e oferecer o serviço. Com o terminal é possível ter uma economia de até 36% na logística de operação. Estamos correndo contra o relógio, alguns armadores querem vir para o Porto de Imbituba”, observa o diretor da operadora.

Carlos Augusto Menezes, da Ferrovia Tereza Cristina, afirma que diariamente chegam a passar pela “frente” de Içara cerca de 500 contêineres. “E para onde vai isso tudo? Nada fica aqui, eles vão direto para os outros portos. Temos energia garantida, qualidade de vida, um aeroporto que está prestes a ser inaugurado. Tudo isso atrair investidores”.

O prefeito de Içara, Murialdo Gastaldon, reconhece que o empreendimento vai mudar as condições econômicas de Içara, mas salientou que não vai tomar a decisão sozinho. Quer envolver empresários, comerciantes, agricultores, a população na análise do projeto e suas consequências. Para isso, nos próximos dias será convocada uma audiência pública para iniciar as discussões. “O projeto é grande; 40 hectares é só para o terminal, a necessidade real é de 120 hectares e a cidade precisa dispor”, lembrou Gastaldon, já que no entorno serão necessárias empresas e estabelecimentos comerciais suporte como borracharias, hotéis, postos de combustíveis e empresas que consertam contêineres, entre outras necessidades.

“Não temos tudo isso. Só dispomos disso na Fazenda Guglielmi (sentido Sul/Norte à esquerda da BR-101, próximo ao viaduto) e passa por desapropriação, não temos recursos para tal. Transformando aquela área em objeto de interesse público aos poucos a prefeitura desapropria a preço de mercado, mas a desapropriação quem vai pagar é a empresa a se instalar, tudo será pago com recurso privado, sem nenhum centavo de dinheiro público”, pontua o chefe do Executivo.

De acordo com um dos investidores, Edmilson Zanatta, do Grupo Jayme Zanatta, o projeto é um assunto tratado há cerca de seis meses e por muito tempo foi tratado com sigilo até que tivesse consolidado, já que é algo ousado e coloca Içara em uma condição econômica excepcional. “Guardamos a ideia e o projeto para encorpá-lo e desenvolvê-lo. O apoio do poder público foi primordial”.

Durante o encontro, muitos empresários manifestaram-se de forma positiva ao projeto de logística. O coordenador de movimento econômico da Associação dos Municípios da Região carbonífera, Sérgio Tiscoski, apontou que o Sul sofre com a falta de infraestrutura e tem inúmeras atividades econômicas, o que, por isso, precisa ser resolvido. “Içara, por exemplo, tem cerca de 15 atividades econômicas. O transporte é a 11ª maior atividade no município, o que representa 3,05% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente 283 empresas daqui e de fora buscam a produção das empresas de Içara e deixam recursos no município. Com o terminal, o frete vai ficar em Içara e o PIB atual, sem dúvida, poderá quintuplicar. Será um divisor de águas não só para Içara, mas para a região”, estima Tiscoski.

O encontro da noite dessa segunda-feira foi o terceiro promovido entre a Acii e os empresários, denominado Encontro de ideias com o prefeito, realizado na sede da Cooperaliança.

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