Brasil aumenta em 29% importação do mundo árabe

Compras do País geraram receita de US$ 1,57 bilhão no acumulado deste ano até julho. Principal motivo foi crescimento dos embarques de petróleo e derivados.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O Brasil aumentou em 29% os gastos com produtos do mundo árabe em julho, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), compiladas pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A receita que os países árabes tiveram com vendas ao Brasil saiu de US$ 1,22 bilhão em julho de 2012 para US$ 1,57 bilhão no mesmo mês deste ano. O volume também cresceu no período, em 31%.

A expansão das vendas ocorreu em função do maior embarque de combustíveis minerais, onde o principal item é o petróleo. Os combustíveis responderam por 87,6% da pauta de exportação dos árabes ao Brasil, com US$ 1,38 bilhão. Houve aumento de 27% nos volumes exportados de combustíveis minerais e de 30% em receita, o que significa que o petróleo e seus derivados foram vendidos ao País com preços um pouco maiores do que julho de 2012.

A Arábia Saudita, maior fornecedora árabe do Brasil, não foi a responsável pelo avanço. As vendas dos sauditas ao País recuaram 1,5% de julho do ano passado sobre o último mês, para US$ 666,92 milhões. Já as exportações dos argelinos cresceram 36,49%, de US$ 267,9 milhões para US$ 365,6 milhões. Também o Iraque, que não havia feito vendas ao mercado brasileiro em julho de 2012, exportou US$ 124 milhões e ficou no terceiro lugar entre fornecedores árabes. O Kuwait avançou de US$ 5,5 milhões para US$ 109 milhões.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a importação recuou 1,28% e ficou em US$ 7,2 bilhões. Neste caso também os combustíveis minerais foram responsáveis pela queda. Eles participaram com US$ 5,8 bilhões e a diminuição nas vendas foi de 8,16%.

Exportação menor

As exportações do Brasil para o mundo árabe caíram nos sete primeiros meses do ano e em julho individualmente. No acumulado, elas recuaram 3,46% e chegaram a US$ 7,6 bilhões. Nos mesmos meses de 2012 estavam em US$ 7,8 bilhões. Em julho a queda foi de 19%, de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,05 bilhão. De acordo com o diretor geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, o principal motivo para esse recuo no ano foi a carne. O produto foi vendido por preços 8,4% menores de janeiro a julho deste ano sobre igual período de 2012.

Na pauta em geral, porém, houve aumento dos preços médios dos itens embarcados, já que a queda no volume exportado foi ainda maior do que o da receita, de 6,15%. Em faturamento, nos primeiros sete meses do ano subiram as vendas de carnes, em 11,38%, as de animais vivos, em 104%, as do açúcar e produtos de confeitaria, em 1,15%, entre outros. Mas caíram as vendas de leite e laticínios, fumo, preparações de carne, minérios e cereais.

Alaby afirma que pode estar havendo troca de fornecedores, principalmente de grãos como soja e milho. O Brasil deveria aproveitar, no entanto, segundo Alaby, para exportar mais derivados de leite para o mundo árabe neste momento. A Nova Zelândia, um dos grandes fornecedores mundiais de leite, enfrenta problemas de mercado por causa da vende leite em pó contaminado com a bactéria que pode gerar botulismo para a China.

De acordo com o diretor geral, ainda há alguma chance de o Brasil vender mais para o mundo árabe até o final do ano, já que em cerca de dois meses ocorre a Hajj, peregrinação muçulmana que ocorre todos os anos na Arábia Saudita. Como neste evento religioso ocorre grande deslocamento de pessoas, há maior consumo de alimentos.

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