Aumento de 82% no frete marítimo impacta preços e inflação

Um recente estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) apontou que, entre janeiro de 2009 e abril de 2013, o valor médio do frete marítimo por tonelada importada passou de US$ 42,33 para US$ 77,09, uma alta de 82,11%. O aumento afeta diretamente o preço dos produtos importados, uma vez que o frete marítimo, ao lado do valor das mercadorias, do seguro e dos gastos com carga e descarga, compõe o valor aduaneiro, que é a base de cálculo dos tributos sobre importação.

 

Imposto de Importação, IPI Importação, PIS e Cofins Importação, Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante e ICMS: todos dependem do frete. Além disso, hoje, 95% das importações ocorrem ocorrem via marítima, enquanto os produtos e os insumos importados representam cerca de 15% dos orçamentos familiares.

 

Segundo o IBPT, o reajuste também afeta os índices inflacionários. “O aumento do custo das importações impacta diretamente o orçamento do brasileiro, pois há o aumento do preço de mercadorias e serviços sobre os quais são calculados os índices de inflação”, relata o estudo. Somente no ano de 2012, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve impacto de 0,75 ponto porcentual resultante do encarecimento do frete marítimo. Já no período de janeiro de 2009 a abril de 2013, o IPCA teve elevação de 1,82 ponto porcentual decorrente do aumento do custo do transporte marítimo sobre importações. “Isso gera uma perda do poder aquisitivo do real”, analisa o presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Amaral.

 

Para Amaral, o aumento está diretamente ligado à crise financeira internacional. “É uma compensação dos armadores. Com a crise econômica, houve uma diminuição nos preços do frete nos Estados Unidos e na Europa. Como no mesmo período houve um aumento no fluxo de importações no Brasil, as empresas compensam suas perdas aqui”, explica.

 

Existem apenas 16 empresas armadoras no mundo, que operam em portos ao redor do globo. Dessa forma, elas praticam essa política de compensação que Amaral considera bastante prejudicial ao Brasil. “É preocupante, pois não se tem controle sobre os preços do frete. Eles são definidos pelas empresas que, em uma posição privilegiada, por não serem vistas, não enfrentam pressão popular ao repassar o aumento para os seus preços”, analisa.

 

O estudo do IBPT também aponta que, no período de janeiro de 2009 a abril de 2013, o Brasil arrecadou US$ 226,15 bilhões em tributos sobre importações. Sem o aumento observado, o valor arrecadado teria sido US$ 5,51 bilhões menor. No período, o País importou 515,6 milhões de toneladas, ao valor de US$ 620,76 bilhões; e pagou US$ 29,5 bilhões em frete marítimo sobre importações. Outro número mostra o avanço dos preços: em 2009, o frete marítimo representava em média 4,35% do valor das importações; em abril de 2013, esse custo passou para 6,01% dos itens importados.

 

FONTE: TERRA

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