Acordo comercial entre EUA e Europa é alerta

Enquanto todos esperam a fumaça branca com a tradicional frase em latim Habemus Papa, o mundo continua girando fora do Vaticano, principalmente no aspecto comercial. Vários países da União Europeia estão mal. Talvez, por isso acenam com acordo comercial com os Estados Unidos da América (EUA). Ora, se era o que faltava para acender o sinal de alerta para o Mercosul, segundo antecipou o presidente José Mujica, do Uruguai, ele está brilhando.

O presidente Barack Obama disse estar modestamente otimista de que os EUA e a União Europeia (UE) conseguirão assinar um acordo comercial para expandir o crescimento econômico. Obama afirmou que, após enfrentar anos de dificuldade com a crise fiscal, a UE está “mais faminta por um acordo do que no passado”. Olhem só a situação, pois o Mercosul está desarticulado há muito tempo. Os EUA cresceram pouco mais de 2% em 2012, e as perspectivas para 2013 são mais animadoras. Na União Europeia, a Alemanha também está otimista, com ela mesma e com os emergentes, no segundo semestre.

A euforia que dominou a economia da Europa, na última década do século XX e até 2008, se desvaneceu em meio a uma fumaça escura, ainda que organismos internacionais indiquem que o pior já passou. Entretanto, na Espanha, são cinco milhões de desempregados, um horror. A Espanha surfou em ondas de progresso desde que o euro foi implantado. Mas, a unificação juntou economias desiguais e nivelou moedas por cima, encarecendo tudo. Ficou fácil importar e difícil exportar em países como Espanha, Portugal, Grécia e, agora, até mesmo na França e na Itália. Com a explosão da bolha imobiliária nos EUA e a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, a realidade desabou tanto nos EUA como, depois, as marolas chegaram à União Europeia. Um após outro, os países viram murchar os negócios, bancos falirem e o modelo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) baseado no consumo lastreado no crédito fácil acabar.

A economia da Itália teve contração de 0,9% durante os três últimos meses de 2012. Na Grécia, a contração do PIB no quarto trimestre do ano passado foi revisada para 5,7%, do cálculo de -6,0% anunciado anteriormente. No entanto, o déficit comercial grego recuou 17,5%, contribuindo positivamente para a revisão no PIB do país. Em todo o ano de 2012, o PIB de Portugal perdeu 3,2% em volume, após a redução de 1,6% observada no ano anterior.

Então, fica provado, mais uma vez, que custa bem menos enganar do que dizer a verdade ao povo. É que a ignorância ou o desinteresse de muitos facilita o engano, enquanto a credulidade da população dificulta o desengano. Que esta nuvem escura sobre a economia da União Europeia sirva de alerta ao Brasil. Por aqui também está se esgotando o crescimento baseado no consumo com empréstimos consignados e que ultrapassam a capacidade, logo adiante, de pagamento. O pleno emprego, a qualificação e a agregação de valor ao que exportamos é o que interessa. Só assim, crescendo em bases sólidas de produção e exportação de manufaturas, o Brasil verá a fumaça branca anunciar o alvorecer econômico do País.

FONTE: Jornal do Comércio – RS

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