Amcham e governo devem liderar missões à China

Agência Estado

Autoridades governamentais, associações e empresários especializados em comércio exterior estão preocupados com a retração das exportações de commodities para a China. Um termômetro desta preocupação são as iniciativas destes personagens em incentivar missões de empresários brasileiros à feiras de negócios na China. Entre outubro e novembro, duas missões deverão aterrissar em território chinês com o objetivo de apresentar soluções para otimizar e expandir negócios com a China e tentar não só reverter o quadro de retração das importações de commodities brasileiras pelo gigante asiático, como tentar prospectar mercado para outras categorias de produtos brasileiros na China.

 

Entre os dias 10 e 21 de outubro, a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) levará um grupoempresários brasileiros para visitar feiras de negócios em três grandes cidades da China. Por enquanto já há 11 empresários confirmados na lista da Amcham. Em novembro, outra missão, desta vez chefiada pelo governo, provavelmente pelo ministro do Desenvolvimento (MDIC), Fernando Pimentel, deverá desembarcar em solo chinês com mais ou menos 30 empresários.

 

Segundo levantamento feito pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), entre janeiro e agosto, mais de 70% das exportações brasileiras de soja foram para a China. Ainda segundo o estudo, um quinto das exportações de petróleo, valor equivalente a US$ 14 bilhões, e cerca da metade dos embarques de minério de ferro, no valor de US$ 20,5 bilhões, foram vendidos para os chineses.

 

“A Amcham tradicionalmente realiza missões com o objetivo de estimular investimentos e identificar oportunidades no mercado internacional, assim como promover o desenvolvimento de networking estratégico”, disse à Agência Estado a gerente de comércio exterior da Amcham-SP, Camila Moura. A missão da Ancham, de acordo com Camila, parte de três premissas empresariais: capacitação, geração de negócios e assessoria logística e operacional. Para atender a cada um desses aspectos, a organização da comitiva prevê agendamento de reuniões com potenciais fornecedores e parceiros.

 

“A viagem abre oportunidades para os mais variados setores, entre eles máquinas e equipamentos, computadores e tecnologia da informação, veículos e autopeças, produtos químicos e minerais, construção, eletrodomésticos, materiais elétricos e eletrônicos, e comunicação”, explicou a gerente de comércio exterior da Amcham.

 

De acordo com Camila, as missões são compostas por visitas técnicas a empresas e entidades, rodadas de negócios, seminários, palestras e workshops de setores importantes que atendam à demanda das empresas associadas, oferecendo novas oportunidades de negócio. “Além de missões para vários setores da economia aos Estados Unidos, a Amcham mais recentemente começou a realizar missões à América Latina e à China”, emenda a executiva.

 

A missão de outubro será a terceira consecutiva para a China. De acordo com Camila, as duas edições anteriores foram bem-sucedidas, em especial a de 2011, quando a delegação ao país se deu simultaneamente à visita da presidente Dilma Rousseff e participou de eventos com autoridades e empresários brasileiros e chineses. “Inclusive, para essa ocasião, a Amcham preparou e lançou uma edição especial da série How to Do Business and Invest in Brazil em mandarim, para atender à procura de informações por parte de empresários chineses com interesse em fazer negócios no Brasil”, explicou.

Fila de navios do Porto de Paranaguá deve se estender até dezembro

A intensa produção de grãos, os 31 dias de chuva entre junho e julho e a greve dos fiscais da Anvisa fizeram aumentar a fila dos navios com destino a Paranaguá (PR). Unida a esses dois outros fatores, a procura pelos últimos estoques da produção da safra do milho paranaense, em função da falta norte-americana, fez aumentar a demanda no estado, e navios de diversas partes do mundo embarcaram em busca do grão.

O Porto de Paranaguá é um dos que mais exporta no País: por ano, opera cerca de 3 mil navios. Um dos motivos da grande procura pelo embarcadouro paranaense, ocorre porque é o único no país vendedor de fob (sigla, do inglês, para free on board), uma espécie de Bolsa de Valores da questão portuária brasileira. “Às vezes, eles preferem esperar e pagar a multa do que descarregar em outros portos”, afirma Lourenço Fregonese, diretor empresarial da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Mesmo os mais de 30 dias em que as descargas dos navios foram impedidas, o porto continuou operando normalmente.

As condições de logística em Paranaguá, porém, atrapalharam tanto quanto a chuva, as greves e a supersafra de milho: a falta de caminhões e armazéns comprometeu a descarga, que já é um processo lento. O carregamento de grãos, que não pode ocorrer quando há chuva, impossibilitou a grande colheita de embarcar nos vários navios que chegaram até Paranaguá e ficaram lá, posicionados e à espera de receber a carga. Para o porto, não houve prejuízo. As agências de navegação também não registraram perdas ou transtornos. “Importadores, exportadores e donos de navios é que estão sendo afetados. Aqui, tudo continuou igual”, assegura Albano Simões Pinto, sócio-gerente da Agência Marítima Cargonave.

Passados os contratempos, porém, a fila para atracar no Porto de Paranaguá ainda existe. Divide-se em duas: uma para a importação, outra encarregada da exportação. Como o mercado anda aquecido, a fila aumenta. A alegria do agricultor é a tristeza dos navios. O porto aguarda fertilizantes de vários lugares do mundo, especialmente da Rússia e de outros países do Leste Europeu, a previsão é de que apenas no mês de dezembro a situação se normalize, e o tempo de espera diminua. “A fila incomoda a todos, a nós, ao Governo Federal e ao Estado, mas acredito que até dezembro ela não exista mais”, afirma Fregonese.

Cartola – Agência de Conteúdo

Especial para o Terra

Bancada do Transporte Rodoviário de Carga vai revisar Lei dos Caminhoneiros

DO PORTAL DO AGRONEGÓCIO

Na última terça-feira, dia 18, em Brasília, durante o lançamento da Bancada do Transporte Rodoviário de Cargas, os deputados decidiram criar uma comissão especial para propor modificações na lei 12.619/12, que regulamenta a profissão de motorista e a jornada de trabalho dos caminhoneiros. O colegiado será instalado após as eleições municipais, em outubro.

O deputado federal Luis Carlos Heinze (PP/RS), membro da bancada, lembra que a pressão dos parlamentares resultou na publicação da resolução do Conselho Nacional de Trânsito 417/2012, que suspendeu a aplicação da lei por 180 dias. “Nesse prazo, e dentro da comissão especial, vamos revisar a legislação e elaborar um projeto de lei que atenda as reivindicações dos caminhoneiros autônomos, motoristas, e transportadoras”, afirma.

A atual lei obriga ao profissional da direção, sob pena de multa, um descanso mínimo de 30 minutos a cada quatro horas trabalhadas, além de 11 horas diárias de repouso. O Movimento União Brasil Caminhoneiro alega que as estradas do país não possuem estrutura suficiente para que os caminhoneiros parem seus veículos com segurança.