Câmbio e Reintegra permitem redução de preço de exportação

A manutenção do dólar no nível dos R$ 2,00 e as medidas do governo federal para baixar custos das indústrias possibilitaram aos exportadores brasileiros reduzir os preços dos manufaturados vendidos ao exterior.

Em agosto, levando em conta todas as exportações, houve queda de 9% nos preços médios dos embarques, na comparação com o mesmo mês de 2011. A redução de preços, porém, não está mais restrita aos produtos básicos, como anteriormente. Os manufaturados vendidos ao exterior ficaram, em média, 3,9% mais baratos em agosto. Os básicos tiveram redução de 12,1% e os semimanufaturados, de 10,7%. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e devem ser divulgados hoje.

Lia Valls, professora de economia da Fundação Getulio Vargas, diz que a redução dos preços de exportação ocorre em função da fraca demanda do comércio internacional, que ainda derruba os preços. É a desvalorização do câmbio e o efeito de medidas do governo de redução de custo de produção, porém, que têm permitido ao exportador fazer a redução do preço para continuar no mercado internacional, segundo economistas. “A desvalorização do real em relação ao ano passado tem permitido ao exportador baixar os preços e ter uma compensação via câmbio”, diz Silvio Campos Neto, economista da Tendências.

A queda de preços dos manufaturados, acredita Rodrigo Branco, economista da Funcex, deve-se ao efeito das medidas do governo de estímulo à exportação. Para ele, a menor pressão de custos de produção permitiu ao exportador reduzir o preço para continuar exportando num ambiente internacional de baixa demanda.

Entre as medidas do governo federal nesse sentido estão a desoneração da folha de salários para alguns segmentos que trocaram a contribuição de 20% sobre folha pelo recolhimento de um percentual sobre o faturamento. A receita de exportação, porém, fica livre da nova tributação. Outro benefício é o Reintegra, que garante crédito tributário de 3% do valor exportado.

A redução de preços de exportação mais generalizada é um movimento recente. Em 2011, entre os 29 setores dos quais a Funcex analisa os dados, apenas um não aumentou o preço de exportação. Em 2012, de janeiro a julho, dez setores já reduziram seus preços. Na comparação entre agosto deste ano e agosto de 2011, 21 setores já estão com preços menores.

A redução de preços dos produtos embarcados é um sinal positivo porque indica que os exportadores estão sendo mais competitivos no mercado externo. De acordo com os dados da Funcex, os preços dos manufaturados exportados mudaram sua evolução a partir de junho. Nesse mês os preços de exportação dessa classe de produtos ficaram praticamente estáveis, com aumento de 0,6% em relação a junho de 2011. Em julho, já houve recuo de preços, de 3,3%. Em agosto a queda foi mais acentuada. No acumulado de janeiro a agosto, há ainda elevação de preço dos manufaturados, de 1,8%. Levando em conta o total de produtos exportados, o recuo de preço no acumulado foi de 2,9%.

Até o mês de julho, a redução de preços médios de exportação não retirou o ganho dos exportadores. Pelo contrário. De acordo com os dados da Funcex, em julho, quando as exportações brasileira ficaram, em média, 7,8% mais baratas que no mesmo mês do ano passado, a rentabilidade dos exportadores estava 11% mais alta. No acumulado de janeiro a julho o ganho de rentabilidade foi de 8,8%.

Julio Gomes de Almeida, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), diz que o principal fator que possibilitou às empresas reduzir preço e serem um pouco mais competitivas no mercado externo foi o câmbio. Segundo ele, o efeito da desoneração está começando em alguns setores, principalmente naqueles em que o benefício veio primeiro, como vestuário e calçados. O Reintegra também começa a fazer diferença.

Entre os setores desonerados desde dezembro, o setor de couros e calçados ficou, em agosto contra agosto de 2011, com preços médios de exportação 10,5% menores. A queda foi maior que a redução média de 9% no preço do total das exportações. No mesmo período, vestuário e calçados exportados ficaram 8,5% mais baratos e os têxteis, 5,7%.

Somente no ano que vem, porém, diz Almeida, as medidas tributárias farão maior diferença. Juntamente com outras que deverão baixar o custo de produção, como a redução da tarifa de energia elétrica. E será possível, diz, saber se o conjunto de iniciativas são suficientes para fazer frente ao produto do exterior.

Por enquanto a redução de preços contribui para o exportador ser mais competitivo, diz Almeida. “Sem as novas condições o resultado poderia ser pior”, acredita. A desaceleração dos principais mercados, porém, continua pesando e impedindo elevação da quantidade exportada. Em agosto contra o mesmo mês de 2011 a queda foi de 6% e houve redução em todas as classes de produtos. A classe com maior redução foi a de semimanufaturados, com queda de 14,5%.

Fonte: Valor Econômico

Abimei confirma audiência com a Camex

Na pauta, o aumento da alíquota do Imposto de Importação para bens de capital.

O presidente da Abimei (Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais), Ennio Crispino, será recebido em audiência no dia 20 de setembro (quinta-feira), pelo secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Emílio Garofalo Filho. Ele estará acompanhado do vice-presidente, Paulo Roberto Castelo Branco, e dos conselheiros Flávio Paiva e José Lacy de Freitas e Christopher Mendes. A audiência foi solicitada pelo presidente da ABIMEI após o anúncio da lista de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, no último dia 05 de setembro, composta de 100 produtos, que incluiu centros de usinagem, motores e geradores, pás-carregadeiras e escavadeiras hidráulicas usadas na indústria da construção.

“Não fomos consultados pelo Governo se as alegações dos setores que se sentem prejudicados são justas e coerentes. Bens de capital são meios de produção e o Brasil é um dos poucos países do mundo que tributam este tipo de maquinário. Elevar o Imposto de Importação de máquinas-ferramenta é um protecionismo injustificado, porque se trata de um fator fundamental para ajudar o país a ser mais competitivo mundialmente”, afirmou o presidente, na dia do anúncio da medida.

De acordo com Ennio Crispino, ´”dá para contar nos dedos de uma mão” quantas empresas fabricam centros de usinagem no Brasil, “por isto muitos completam o seu mix de produtos com máquinas importadas”. “A máquina importada vem para suprir a demanda interna que a indústria nacional não consegue atender em termos de quantidade, tecnologia e prazo, além de funcionar como um balizador de preços do mercado. Com o aumento da alíquota, quem vai pagar a conta é o próprio empresário”, diz Crispino.

A medida pega os importadores de bens de capital em um momento de baixa atividade, com redução de até 20% no volume de negócios entre o último trimestre de 2011 até agora: “Já vínhamos amargando um ritmo lento, próximo ao da crise de 2009. Agora, seremos ainda mais penalizados. E quem se prejudica é o industrial brasileiro, que terá que pagar mais caro para ter equipamentos com níveis de produtividade e eficiência capazes de aumentar a competitividade internacional dos seus produtos”.

Para o presidente da Abimei, antes de aumentar impostos, o Governo deveria promover as reformas tributária, fiscal e trabalhista, desonerando a pesada carga que incide sobre a indústria. “Este é o caminho para o crescimento sustentável da indústria. Barreiras protecionistas só servem para alterar artificialmente o câmbio, algo tão reclamado pelos fabricantes nacionais, criando um ambiente favorável ao aumento da inflação e uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros problemas”, diz ele.

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