Transporte de cargas por cabotagem deve aumentar em dois anos

Assim como a indústria naval brasileira vive um momento de retomada, o transporte por cabotagem, aquele realizado entre portos do mesmo país, projeta crescimento para os próximos anos. Segundo estudo realizado pelo instituto Ilos, a expectativa é de aumento de 36% no volume movimentado nos próximos dois anos.

Enquanto em um país continental como o Brasil, com aproximadamente 7,5 mil quilômetros de costa, a cabotagem tem participação de apenas 9% no transporte de carga, União Europeia e China, por exemplo, tem 37% e 48% respectivamente. De acordo com João Guilherme Araujo, diretor de desenvolvimento de negócios do instituto Ilos e autor de estudo sobre cabotagem, 80% da economia brasileira se encontra a 200 quilômetros da costa, fato que demonstra o potencial da cabotagem na logística nacional.

Entre os entraves para o desenvolvimento do setor, segundo Araújo, estão as amarrações burocráticas, como a parametrização das cargas, as dificuldades de gerar conhecimentos de carga multimodais – que exigem cobertura de todo circuito do embarque à entrega, incluindo até as placas do caminhões participantes, se houverem – e os problemas históricos de infraestrutura. Além de custos operacionais, visto que a cabotagem não recebe os mesmos incentivos de tributação da navegação internacional.

A opinião de que falta incentivo é compartilhada pelo vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Roberto Galli. Para ele, entre os principais obstáculos que a cabotagem enfrenta está “a falta de uma posição consistente do Governo, que seja indutora de investimentos, principalmente quanto a marcos regulatórios”. Galli concorda que é preciso evoluir a infraestrutura portuária do País. “O principal desafio é o acesso e, em seguida, o tratamento diferenciado para as cargas de cabotagem, que têm o mesmo trâmite das cargas de importação e exportação”, diz.

Outro dado constatado na pesquisa com os principais embarcadores do País é de que 68% deles pretendem aumentar o volume movimentado por cabotagem. Para João Guilherme Araújo, o que tem impulsionado o crescimento é a melhoria econômica do Nordeste e até as mudanças geradas no modal rodoviário pela lei 12.619, que regulamenta a profissão de motorista. Além disso, a cabotagem é menos poluente e mais segura para cargas de alto valor agregado, tanto sob a perspectiva patrimonial quanto de acidentes. O Porto de Santos (SP) é visto pelas empresas entrevistadas como o principal ponto de saída de carga por cabotagem, seguido por Paranaguá (PR) e Manaus (AM). Por outro lado, Manaus e Suape (PE) são os portos com maior potencial de receber carga por cabotagem, seguidos por Santos.

FONTE: TERRA

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