Gargalos: Portos ruins atrasam exportações de grãos do Brasil

A corrida para exportar soja e farelo de soja do Brasil está resultando em uma fila de dezenas de navios nos portos do sul do Brasil com o tempo de espera para carregar uma média entre 20 dias e, nos piores casos, até um mês. A grande demanda por soja está empurrando as operações portuárias para o limite, mas os portos simplesmente não têm a capacidade necessária para atender a demanda.

Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), desde 08 de maio, havia 16 navios atracados, 51 na baía de esperando para carregar e 23 navios eram esperados para chegar dentro das próximas 48 horas. Quase metade dos navios estão à espera para carregar soja ou farelo de soja a partir do corredor de exportação público. Mesmo que estes tempos de espera sejam excepcionalmente longos, eles estão dentro da média histórica para o porto. Funcionários Appa não sintem que o porto perdeu negócio devido à longa espera, mas há relatos de exportadores ignorando o Porto de Paranaguá em favor de outros portos, como São Francisco, no estado de Santa Catarina.

A Appa informou que durante o primeiro trimestre de 2012, o Porto de Paranaguá exportou 2,9 milhões de toneladas de soja e 1,7 milhões de toneladas de farelo de soja, o que representou um aumento de 67% e 22% respectivamente, em comparação ao ano anterior.

O ritmo de exportação aumentado é o resultado dos preços da soja fortes estimulando os agricultores a rapidamente vender a sua produção 2011/12, o tempo relativamente seco no porto permitindo um ritmo acelerado de carregamento, bem como um enfraquecimento da moeda brasileira que faz com que os preços sejam ainda melhor para os agricultores brasileiros.

O governo está tentando resolver o congestionamento crônico nos portos com uma proposta para expandir e modernizar, a um preço estimado de R$ 2 bilhões. A proposta envolve a construção de um novo pier forma “T”  que permita sete navios sejam carregados simultaneamente no corredor público, em vez dos atuais três navios. A proposta também envolve as coberturas, que os permitiriam uma operação de carregamento para continuar durante os períodos de tempo molhado. Atualmente, as operações de carga são suspensas sempre que há uma chance de chuva e tempo chuvoso é a razão número um para atrasos de carregamento.

Enquanto isso, autoridades portuárias esperam aumentar sua capacidade de carga diária, simplesmente por atualizar os seis carregadores de navios no corredor público. Atualmente, cada carregador de navios pode lidar com 1.500 toneladas por hora, mas com uma simples atualização de partes fundamentais do carregador de navios, que pode ser aumentado para 2.000 toneladas por hora.

No Porto de Santos no estado de São Paulo, que é o maior porto do Brasil, há 34 navios atracados e 126 que deve chegar nos próximos 30 dias. A maioria dos carregadores de Santos são para conteiners, mas há também uma porta principal para a exportação de soja. O tempo médio de espera para o carregamento de soja no porto é de 12 dias. Nos portos privados ao longo da costa de São Paulo o tempo de espera médio é de apenas cinco dias.

Movimentação de granéis líquidos pelo Porto de Paranaguá cresce 45%

A movimentação de granéis líquidos pelo Porto de Paranaguá apresentou alta de 45% no mês de abril. Foram 448 mil toneladas de produtos, contra 308 mil no mesmo período do ano passado. Considerando a soma do quadrimestre, foram movimentados 1,6 milhão de toneladas de líquidos, volume 26% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

O departamento de estatística da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) divulgou nesta quarta-feira (09) a movimentação de cargas nos Portos do Paraná de janeiro a abril deste ano. Comparado com os primeiros quatro meses do ano passado, o volume movimentado é 7% maior, totalizando 13 milhões de toneladas movimentadas. A receita cambial gerada pelas exportações no período foi de US$ 5,3 bilhões, 17% superior à receita acumulada no mesmo período de 2011.

Segundo o diretor empresarial do Porto, Lourenço Fregonese, a alta no preço do dólar tem incentivado as exportações. “Mesmo com a seca que castigou o Mato Grosso e os estados do Sul, a procura pelas commodities brasileiras foi alta. E, fora isso, mesmo com a alta do dólar, as empresas brasileiras, preocupadas com a fidelização dos compradores, mantiveram intactos todos os seus contratos”, explicou.

Líquidos – O grande responsável pela alta na movimentação dos granéis líquidos foi o óleo de soja. Considerando as exportações da empresa Cattalini, a principal operadora de granéis líquidos no Porto de Paranaguá, no primeiro quadrimestre de 2012, a exportação de óleo de soja apresentou alta de 50% em relação a 2011. Na importação e cabotagem, o destaque foi o álcool. De seis mil toneladas movimentadas, de janeiro a abril do ano passado, passou a 44 mil toneladas no mesmo período deste ano.

De acordo com a gerente comercial da empresa, Carla Rocha, o aumento na movimentação de granéis está crescente tanto na importação quanto na exportação. Só a Cattalini apresentou alta de quase 30% em suas movimentações em 2012.

No que se refere às exportações de óleo de soja, os principais mercados compradores são a Índia e a China. O que justifica o aumento nas exportações, segundo Carla, é o preço do produto no mercado externo. “A crise na Argentina cria oportunidade para os produtores brasileiros no mercado internacional. Eles estão aproveitando”, explica.

Demais cargas – Os números da APPA ainda indicam aumento na movimentação de outras cargas. Entre os granéis sólidos, um dos destaques é do milho, cuja exportação foi 47% maior nos primeiros meses deste ano em comparação ao primeiro quadrimestre do ano passado, totalizando 626 mil toneladas. Na importação, o produto mais movimentado no período foi o trigo, somando 436 mil toneladas, o que representou um aumento de 19% em relação ao mesmo período de 2011.

A movimentação de veículos pelo Porto de Paranaguá também cresceu. Tanto na importação quanto na exportação, essa porcentagem de aumento foi de 38% comparada com os quatro primeiros meses de 2011. O total de veículos exportados foi de quase 30 mil unidades.

A movimentação de contêineres registrou alta de 12%, totalizando 243 mil TEUs movimentados. A exportação de contêineres foi 9% maior este ano, em relação ao período de 2011. Já a importação registrou alta de 16%.

Melhorias – Em relação à movimentação de contêineres, o diretor empresarial da Appa garante que o aumento de 12% é um reflexo das melhorias implantadas pela atual administração. “É um reflexo dos novos equipamentos que já foram e serão colocados no TCP. Essas melhorias nos darão números ainda melhores daqui pra frente”, comenta.

Fregonese também lembra que, a partir do final deste mês, começam as obras do terceiro berço do TCP, o que garantem mais 350 metros de cais. “Com isso, em 2013 estaremos movimentando 1,2 milhões de TEUs. Hoje são 800 mil”, conclui.
FONTE: APPA

Barcelona registra crescimento no tráfego de contêineres de exportação

Com um volume total de mais de um milhão de toneladas movimentadas até março, os granéis sólidos se destacaram com as cargas de maior crescimento no Porto de Barcelona, na Espanha, no primeiro trimestre desde ano. O número representa 34% de aumento em comparação aos três primeiros meses do ano passado, motivado pelo bom desempenho dos produtos.

O tráfego total obteve volume 11% maior no ano passado, superando 10 milhões de toneladas. No que diz respeito a contêineres, o porto espanhol movimentou 410.540 Teus (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés), o que representa queda de 24% em comparação ao mesmo período em 2011. Embora o complexo portuário tenha registrado essa queda, o número de exportações continua a crescer, registrando 3,5% de alta. Para o porto, os mercados mais dinâmicos foram os países da região norte da África, a zona do Golfo Pérsico e do Mar Arábico.

Fonte: Guia Marítimo