Revista ‘The Economist’ aponta ‘protecionismo’ brasileiro

Enquanto o governo brasileiro acusa os países ricos de desvalorizar suas moedas e com isso prejudicar a competitividade dos mercados emergentes, em nações desenvolvidas é o Brasil que tem sido criticado por sua postura no comércio internacional.

A revista ‘The Economist’ desta semana analisa o acordo comercial entre o Brasil e o México no setor de automóveis. Em linhas gerais, o semanário diz que as brigas em torno desse assunto mostram que o país sul-americano é protecionista enquanto a nação da América do Norte é mais aberta e melhor adaptada à globalização.

Acordo

O acordo, de 2002, permite o livre comércio de veículos entre os dois países latino-americanos. Hoje a parceria pode ser revista, depois de um aumento de 40% nas exportações mexicanas para o Brasil nesse setor em 2011.

O governo brasileiro, lembra a reportagem, defende que só possam ser beneficiados pelo acordo os automóveis que tenham um conteúdo nacional de pelo menos 40%. O medo de Brasília é de que montadoras asiáticas fabriquem os carros quase totalmente em seus países e usem o México apenas como uma forma de vender para o Brasil sem pagar imposto.

Já o México reclama que ter 40% de conteúdo nacional não é viável por causa do seu modelo de negócio. ‘O México vê sua indústria automobilística como parte de uma cadeia global. Seria difícil aumentar o conteúdo local rapidamente’, pois isso iria requerer mudar as bases sobre as quais as companhias atuam.

Por outro lado, o Brasil quer que o acordo valha também para ônibus e caminhões, mas nessa parte é o México que resiste. Isso porque o país sul-americano só aceita motores enquadrados no padrão europeu de emissão de gases, mas no México há montadoras que usam o padrão americano. Os mexicanos se sentiriam desfavorecidos se o Brasil não aceitasse tais veículos.

Outra mudança em debate no acordo é a determinação de um limite para a quantidade de produtos que podem ser comerciados livres de tarifas, ponto defendido pelo Brasil. O México diz ser favorável ao aumento do fluxo de mercadorias sem taxas, e não à limitação.

Demissões

Para a ‘Economist’, o protecionismo, não só o câmbio, está provocando aumento de custos no Brasil. O País teme desindustrialização e consequente perda de empregos.

No México, a abertura para o comércio exterior provocou a demissão de centenas de milhares de pessoas nos anos 1990, com a transferência de empregos para a China, mas em compensação as indústrias que sobreviveram se tornaram altamente eficientes. Com isso, o setor industrial mexicano mantém desde 2003 sua participação de 17% no PIB (produto interno bruto). Já no caso brasileiro, a fatia da indústria no PIB caiu de 17% em 2000 para 15% em 2011.

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